sábado, 3 de novembro de 2012

Abandonado.

Lugar estranho esse aqui...
Tão vazio, tão sujo.
Tão mal cuidado.

As paredes de azulejo amareladas, já não dividem mais aquele espaço.
O chão sujo, os rejuntes pretos.
Mal consigo ver o teto, que já não protege mais ninguém da chuva.
Uma gota cai no meu ombro.
Uma gota vermelha.
Não sangue, ferrugem.
Um cano, solitário, tirando a cabeça pra fora da escuridão para gritar por socorro.
Algumas portas com salas vazias restaram entreabertas, solitárias, sem sentido.
Já não tem mais nada para esconder. Já não tem mais nada para proteger.
Janelas que não são mais janelas.
Janelas que são apenas uma lembrança de que aqui um dia viveu algo que precisava da luz solar.

É um lugar abafado.
Quente, onde o ar não se recicla.
Meus passos ecoam, fazendo parecer que tem mais alguém andando comigo, mas eu sei que não tem.

Ao final do corredor, uma porta dupla.
Completamente quebrada, como era de se esperar.
Estendo minha mão para empurrar.
A porta não oferece quase nenhuma resistência.
A luz já não alcança essa parte.
E pensar que isso aqui já foi movimentado.
Mas é a esse destino que todo lugar está fadado.

Parece que esse lugar é vivo... E não está passando bem.
E pensar que pode ser assim também, dentro da mente de alguém.

2 comentários:

  1. Adorei, que espaço legal !!!!
    Realmente, pode ser dentro de qualquer mente, viajando nas palavras... qualquer mente... inclusive a minha !!! =*

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