sábado, 3 de novembro de 2012

Abandonado, parte 2.

Acendo minha lanterna, e vou indo para o coração dessa gigante criatura que um dia teve um nome de santo.
Criatura filha do homem.
Feita para servir o homem.
Para abrigar o homem.
Seria esse lugar um anjo?

É triste ver um anjo nesse estado.
Caído, maltratado, sujo.

Chego no coração da coisa.
Uma caldeira para um aquecedor e três geradores de energia.
O ar aqui é pesado, aqui já foi um centro forte de emoções, positivas e negativas.
Tanta gente que já passou por esse lugar.
Se alegrou, se entristeceu.
Tantas vidas que se acabaram e se começaram aqui.
O silvo do vapor, mesmo sem funcionar.
Eu consigo ouvir.
O barulho dos geradores, mesmo estando parados.

As colunas...
Esse lugar está com osteoporose.
Está condenado, a ponto de ser demolido.
Mas ainda está de pé.
Ainda não desistiu.

E eu também não.
As escadas já não estão elevando mais nada, não estão ajudando ninguém a se aproximar do céu.


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